quarta-feira, 24 de julho de 2013

POEMA 3



CORAGEM

Quem disse ser fácil
falar escrever...
Mentiu.
Fácil mesmo é calar, omitir
esconder, fingir,
refugiar-se
em si,
em outro(s).

Contato pra quê?
Tá bom assim.
Supérfluos
ingênuos
falares
vácuo
asfixia
morte.

Não.

Melhor mesmo é pagar o preço.
Buscar mais fundo
Dizer o mais  profundo
que a alma conceba.
Pago pra ver
pra ser
saber
renascer
diariamente.

E você?

24 de julho de 2013.
16h.

POEMA 2




TEMPERATURA

Chuva
frio
casa
vazios
esconderijo
livros
escritos
mesa cheia
janela:
uma retroescavadeira
tenta
usando sua mão
dar à terra  uma forma
ser  sustentáculo.
Eu, aqui.
Do chão da escola da vida
da vida da escola
Escavando ideias, palavras, relatos, memórias...
Forma e conteúdo em busca de si mesmo:
uno, diverso, distinto,novo.
Exequível.
Do que se lê...
É feito.
24 de abril de 2013.
15h.

POEMA 1



SINA

O que me inquieta?
É o que te inquieta?
O que capto não capto do que te inquieta?
É o que me inquieta?
Te ouço.
Me ouço.
Te vejo no que vejo de ti?
Ente plural.
Precisão? Uma ilusão
O que fazer da inquietação?
Saber.
O que de mim há em você?
O que de você de mim se apresenta
nas emaranhadas linhas
da trajetória humana?
Busca por saber.
Por que tu me inquietas?
Por que insistir no encontro?
Subjetivo.
Encontro em espírito muito mais que físico.
Batalha das palavras.
Tentam tentam
mas opacas.
Como fazer ver o que vejo?
Como ver o outro no que não vê do que vejo?
O que importa?
Por que importa?
O outro eu mesma
inquietação!
24 de julho de 2013.
13h.